A diferença entre pensar e fazer

Na prática a teoria é outra.

Eu te entendo, presidente Barcellos. Digo mais e vou além: erraria exatamente igual. Há um cânion do tamanho do Malacara entre o planejamento, o desejo, a vontade que habita na gente, e a execução. E depois para SEGURAR essa execução, como dizem os jovens, vai mais um Itaimbezinho.

A contratação de Miguel Angel Ramirez na intenção de inverter a lógica de jogo do Inter como um todo, oxigenar o estilo de fazer futebol da Academia do Povo e por fim levar o jeito de jogar bola do Colorado para o Século XXI era atraente demais pra não dar com os burros n’água de maneira fulgurante. Caso eu estivesse na posição de escolher, teria optado por um nome mais Bielista ainda, mas compreendi o movimento. E provavelmente daria tão errado quanto.

Dos esportes que pratiquei à vera na vida – futebol de salão e basquete, goleiro e armador – valendo INTERCLASSES #respeitaminhahistoria na minha cabeça o estilo ofensivista seria implementado desde o minuto 1 dos treinamentos. Pelas posições que desempenhava, poderia controlar a velocidade de ataque, por exemplo. Ou seja, a ideia era cadenciar o time desde a saída da bola, empurrar o adversário com a troca de passes e dar o bote depois de rodar o ataque até encontrar o melhor companheiro posicionado para executar a ação ofensiva. Reverenciava o Triângulo de Phill Jackson e odiava o Chuta-Chuta de Marcel e Oscar; Adorava ver o São Paulo do Telê e o Palmeiras do Luxemburgo e torcia duplamente contra o Grêmio de Felipão: pela rivalidade e pela postura de espera atrás da linha da bola em diversos momentos.

Mas aí chegava a prática, essa prima-irmã dos fatos, e colocava toda tese na lata do lixo. Os únicos times em que joguei e que foram campeões operavam na base do contra-ataque vertiginoso. Marcação implacável e transição na retomada, nos dois esportes. Sempre apoiados no jogo físico e na noção de que quando houvesse a menor chance, era preciso liquidar a fatura. Para piorar, o melhor e mais entrosado time que participei no futsal, na sétima série, fugiu desse estilo de meia-quadra e tomou um arrodião na final, com a quadra do colégio abarrotada (50 pessoas quando se tem 13 anos é o Maracanã).

O presidente Alessandro Barcellos, em partes, segue com seu sonho de fazer o Inter explorar mais seu lado de clube com vocação para o ataque do que para a força. As mudanças estruturais nas categorias de base são um indicativo de que o sonho ainda não acabou. Mais Rolo e menos Mandarins, ou um equilíbrio entre as duas coisas (o que seria o ideal). O problema é quando tu enfia 4 no super Flamengo do Renato em pleno Rio de Janeiro, inapelavelmente jogando com as costas na parede e dando o direto sem preparar com o jab. A realidade faz questão de acabar com nossas elucubrações.

Seguirei na escola dos loucos intransigentes como Bielsa, Guardiola, Sampaoli, Telê e outros. Na teoria.

Fazer o que, né…?

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Felipe

Felipe da Costa Conti, 34, Jornalista, Colorado.
Queria ser o Taffarel mas não serve nem pra Maizena.

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